quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O TOQUE DO TAMBOR

Recebí esse e-mail de uma amiga irmã Wanderly, esposa do amado pastor pontepretano Elias, da linda cidade de Curitiba, após ler e ponderar, ao invés de repassá-lo adiante conforme proposta, resolvi postar aqui. Conheço a seriedade do amado pastor Dr. Josué Mello Salgado, afinal de contas, fomos colegas de ordem na Bahia no início dos anos 90, vejo que compartilhamos das mesmas preocupações. Portanto, leiam e opinem, por favor.
"Se alguém marcha com outro passo é porque ouve outro tambor". Convidado para falar aos batistas baianos sobre despertamento espiritual durante a 79ª assembléia da Convenção Batista Baiana assisti constrangido o inevitável desligamento de 22 igrejas do rol cooperativo da Convenção Baiana, todas aquelas envolvidas com o famigerado movimento G-12. Entre essas, estão igrejas com importância histórica e espiritual como a Primeira Igreja Batista do Brasil, hoje completamente descaracterizada, não só como batista, mas até como evangélica, no sentido mais puro do termo. Surpreende-me que pastores que foram formados e servidos pela denominação sigam cegamente a um movimento meramente humano, pois que calcado na visão pessoal do líder carismático colombiano César Castelhanos, bastante dúbio em suas motivações e teologia... Mas, o que mais nos surpreende é que em nome de novas convicções doutrinárias assumidas, crentes passem a alimentar sentimentos de ódio, de desrespeito e de ressentimento, não somente contra instituições, mas também, e principalmente, contra pessoas. Alguns dos pastores das igrejas afastadas foram amigos nossos no passado, oramos juntos, compartilhamos juntos batalhas e vitórias espirituais, rimos juntos...
De repente passaram a nos evitar, a nos hostilizar, a nos desmerecer.
Tudo em nome de uma pretensa nova espiritualidade... Por que as coisas chegaram aonde chegaram? Por que não assumir uma nova convicção sem perder a ternura? Por que não respeitar a convicção doutrinária de um grupo, ainda quando não se sente mais parte do mesmo? A identidade nos aproxima, ao mesmo tempo em que nos afasta de grupos sociais específicos. Tal movimento de aproximação e afastamento deveria ao menos ser feito com respeito às opções individuais e de grupo. Se na verdade passaram a ouvir um outro tambor e por isso marcham com um passo diferente do resto do grupo, por que julgar, criticar, hostilizar, promover a discórdia e não apenas aceitar que o outro grupo simplesmente ouve o mesmo antigo tambor? Dar ouvidos a novos tons é o direito de todo o ser humano, assim como continuar a ouvir o mesmo antigo e precioso tambor! Quem ouve um outro tambor deve se ajuntar a uma outra tropa!
Se "as inimizades" são na verdade "obra da carne", como esclarece o apóstolo Paulo (Gl 5.19), a verdade é que Satanás tem usado opções doutrinárias para semear as inimizades e assim atrapalhar a obra de Deus. Pois enquanto uma ou duas dezenas de novas igrejas foram organizadas no "Campo Baiano", vinte e duas foram afastadas da cooperação e da comunhão, com prejuízos enormes tanto para estas como para as demais, e especialmente para a obra de Deus. Se o Inimigo não cessa de trabalhar para semear no meio do povo de Deus as dissensões, as facções, os partidos, os ciúmes, as contendas e coisas semelhantes a essas, não raro em nome da descoberta de uma nova "verdade doutrinária", então trabalhemos muito mais, não apenas para alijar de nosso meio tais obras da carne, mas também para semearmos, não a dissensão, mas o amor de Deus; não a discórdia, mas o Evangelho da preciosa Graça de Deus; não a confusão doutrinária, mas a mensagem pura e simples de que Deus ama a todo o mundo e deseja a salvação de todos os homens!
Pr. Josué Mello Salgado (pastor da Igreja Memorial Batista de Brasília, atual presidente da Convenção Batista Brasileira).

Um comentário:

Haralan Elias disse...

"Dar ouvidos a novos tons é o direito de todo o ser humano", porém dar ouvidos a "outro evangelho" fruto de interpretações erradas daqueles que como diz Paulo: "querem transtornar o evangelho de Cristo" é PECADO!

O desligamento da CBB de Igrejas desvirtuadas da sanidade do evangelho é fato necessário a manutenção da relevância e coerência Batista, porém é atemorizante, pode ser que em mais uma década sejamos apenas meia-dúzia de Igrejas Batistas Brasileras. Desligamento da CBB é remédio, algo preventivo precisa ser feito.